A Bíblia

A Origem da Bíblia: Inspirada, Escrita e Preservada

Tudo começa com a inspiração. N.T. Wright nos lembra em Simply Christian, a Bíblia não é um ditado celestial palavra por palavra, mas uma conversa viva entre Deus e a humanidade.

Em 2 Timóteo 3:16, lemos que toda Escritura é “inspirada por Deus”. Esta tradução para o Português não traz a profundidade do texto em seu original no Grego. A palavra é theopneustos, algo tipo “soprada por Deus”. Isso nos lembra de Genesis, quando Deus soprou o Seu Espírito sobre o homem, lhe dando vida.

Assim, entendemos que Paulo está nos dizendo que Deus é a fonte suprema das Escrituras, e portanto, útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça. Deus soprou Sua verdade através de autores reais, como pastores, reis e pescadores, respeitando suas vozes únicas. 

Os livros que fazem parte da Bíblia foram escritos ao longo de 1.500 anos, do deserto do Sinai (cerca de 1400 a.C.) até a ilha de Patmos (95 d.C.). O Antigo Testamento, em hebraico e aramaico, captura o propósito de Deus para os humanos, como rejeitamos a Deus, e Deus formando uma aliança com o povo Israel para ser um povo separando, santo, que O representaria para todas as nações da terra, demonstrando Deus.

O Novo Testamento, em grego koiné – a língua do povo comum –, surge das cartas de Paulo (anos 50 d.C.) e dos Evangelhos (70-100 d.C.), testemunhando a vida, morte, ressurreição e ascensão de Jesus. Esses textos não foram fabricados em um vácuo; eles respondiam a crises reais, como perseguições e divisões nas primeiras comunidades.

A preservação veio pela cópia e tradução

Sem impressoras antigas, escribas dedicados copiaram manuscritos à mão – dos quais ainda temos por volta de 5.800 manuscritos/cópias do Novo Testamento.

Os Manuscritos do Mar Morto, descobertos quase 2 mil anos depois,  confirmam a fidelidade do texto hebraico. Outras traduções antigas como a Septuaginta (para o grego, 250 a.C.) e a Vulgata (para o latim, século IV) espalharam a Palavra. Hoje, versões como a Nova Versão Internacional (NVI) ou a Almeida Revista e Atualizada equilibram precisão e acessibilidade, permitindo que ouçamos Deus em nossa língua.

O Processo de Canonização: Discernindo a Voz de Deus

Como os livros foram reunidos?

A canonização (o reconhecimento de sua inspiração divina) não veio de um concílio, ou decidido por um grupo pequeno de pessoas. Mas sim, um processo que incluía todos os crentes do mundo conhecido da época – a igreja primitiva foi que reconheceu o que já havia sido inspirado pelo Espírito Santo.

Wright descreve isso como parte da narrativa maior de Deus guiando Seu povo. Critérios claros guiaram o processo final: o autor era um dos apóstolos ou eram parceiros próximos deles? A mensagem era alinhada com o que ouviram dos apóstolos? As igrejas estavam usando estes livros (cartas) em seu culto e para o ensino?

No século II, Atanásio listou os 27 livros do Novo Testamento que usamos hoje de acordo com os critérios acima. Vale lembrar que nenhum concílio escolheu os livros do Novo Testamento, mas os que fazem parte da Bíblia foram considerados autoritativos pelos milhares de fiéis antes mesmo de qualquer agrupamento de livros (cartas) tenha sido considerado.

Outros textos, como Evangelho de Tomé, o Evangelho de Maria, os Atos de Paulo e os Atos de Pedro nunca foram considerados como autênticos, pois começaram a circular somente em algumas seitas séculos depois dos livros do Novo Testamento. Estes textos são fortemente heréticos e amplamente considerados por historiadores como não originais.

Por Que Confiar na Bíblia Hoje?

A confiabilidade da Bíblia não é uma questão só prova irrefutável por sua grande quantidade de manuscritos e pessoas citando partes deles (todos os manuscritos juntos contém entre 90-95% do Novo Testament como temos hoje), mas também por causa do testemunho cumulativo. Profecias cumpridas em Jesus (como em Miqueias 5:2), achados arqueológicos validando eventos históricos e o impacto transformador em vidas – de Agostinho a Martin Luther King Jr. – apontam para sua veracidade.

Um Desafio para Nós

Agora, pergunte-se: o que a Bíblia é para você?

  • Um livro antigo ou a voz viva de Deus nos convidando a conhecê-Lo melhor pela Sua interação com indivíduos, comunidades e nações através dos séculos?

O cânon nos lembra que Deus escolheu essas palavras para nos formar, reformar e transformar.

  • Pegue sua Bíblia esta semana – talvez o Evangelho de Lucas – e leia como se fosse a primeira vez.

O que Deus está sussurrando?